quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

aurora dos tempos


a Autocrítica, quando é exercida com Coerência e um distanciamento sereno é sempre motivo de Alegria e enriquecimento para Mim.
 
antes de seguir com esse post já fica aqui asumida a mea culpa pela inconstância nas atualizações do blog. falta de assunto não foi. talvez um pouco de desleixo de Minha parte, somado ao comodismo de trocar esse espaço por um mais conciso. ainda não sei se isso poderia qualificar um comportamento decadente, mas penso que independente de todas essas adversidades, blogs e microblogs tem seu espaço e a sua importância. o que eu preciso é ser mais atento e não querer reduzir uma coisa a outra.


Esse talvez já seja o mote do meu post, surgido numa situação que vi passar numa novela qualquer. Nela, vi uma filha fazendo pouco caso de uma ordem dada pelo pai para que ela ficasse em casa, onde a sujeita terminou se despedindo ironicamente do velho e seguindo seu caminha para a balada.


Eu fui logo falando em um desrespeito às normas e à família. Na minha cabeça, me passou uma rajada de raios e nestes raios, Kant, Nietzsche, Marx, Heidegger e uma avalanche de críticas à metafísica e a moral cristã. Tudo isso me aparecia na forma de uma pergunta simples e objetiva: "O que é Ser Humano?" Mas guardando os devaneios para outro momento, o que eu quero deixar para hoje é a minha perplexidade com relação à humanidade de modo geral.


Eu poderia até me queixar de pessimismo ou de falta de fé no Homem, mas não é bem isso. é mais Tristeza e e Decepção pelas coisas que eu venho acompanhando por ai.a mecanização dos Sentimentos, o esfriamento das relações afetivas e a rotinização do Cotidiano me faz pensar por um momento que estamos vivendo o clima natalino dentro uma grande redoma plástica onde se passam comerciais de shopping center.Que o tempo seja reduzido a um programa rotineiro comum, e as datas festivas reduzidas a oportunidades de compras tematizadas, me faz crer que o Ser Humano médio hoje se reduz por fim a uma espécie de manequim. Oco por dentro e pasteurizadamente igual por fora.


Indepedentemente do que eu venha a crer ou descrer, penso que são em momentos como este de hoje que devemos por uma questão de Dignidade pensar sobre o significado de Existir em Comun-Idade. Consumir produtos e bombardear os outros com frases de otimismo em meio ao tumulto das grandes cidades é um esforço louvável, e até bonito de ser ver. Mas para que tudo isso?



Falar em respeito às normas e à família, soa carola nas palavras do meu amigo Haymone Neto, e a qualquer outra pessoa que atualmente leia algo em defesa "da moral dos bons costumes". E isso tem até uma razão de ser, e por esse motivo, torna-se uma leitura possível. Mas não era bem o que eu queria dizer quando me pronunciei a respeito das programações televisivas para este momento. Tudo bem que o qe foi escrito dá margem para esas leituras, mas deixo as apologias deste calibre para quem realmente se identifica com a causa. Porém, em defesa dos carolas, eu digo até que eles tem uma justa razão em defender esse ponto, muito embora eles próprios não tenham refletido suficientemente sobre o assunto. Não que eu tenha feito essa reflexão suficiente, mas conta em meu favor o fato de ter partido de um ponto diferente.


Citar notas de rodapé de grandes pensadores críticos do assunto é uma tarefa que definitivamente eu não gostaria de fazer nesta noite, e talvez não tivesse grande validade fazê-lo neste momento. Clássicos ou não, esse tema que trata da apequenação do fenômeno humano nas sociedades modernas já foi exaustivamente tratado e mesmo ilustrado, de modo que eu apenas repasso a pergunta adiante, deixando a interrogação como ponto de partida e a perplexidade como tempero para uma pergunte que desejo um dia compreender em toda sua autenticidade.  " Afinal, o que é Ser Humano hoje?  "


Concluo meu post para iniciar os preparativos para mais uma ceia natalina, e neste meio tempo, a missa do galo entra nos ritos de abertura...






quinta-feira, 13 de agosto de 2009

"a estética da agonia" ou "o paradoxo da espera do ônibus"

diria de algo, no mínimo, interessante:

pois: se há recursos disponíveis para todos em uma quantidade razoável, e friso, de mesma qualidade, porque desrespeitam a fila e não aguardam a sua vez?

me peguei pensando nisso enquanto saia de um grande shopping center daqui do recife, e me dirigia para a fila do ponto de ônibus. dava para ver claramente que as vagas disponíveis no coletivo atenderiam todas as pessoas da fila, e no entanto, quando viram o ônibus dobrar a esquina e parando no ponto, correram desesperadamente, como se aquele fosse o último ônibus da noite, ou quiçá, da vida!

enquanto as pessoas passavam, eu seguia a fila normalmente até um certo ponto, quando as pessoas que estavam logo atrás de mim na fila começaram a me empurrar, como se dissessem: "ei! vão tomar os nossos lugares!"

assim tive que seguir o fluxo, e ainda no final, disputar no corpo a corpo o primeiro degrau do ônibus com um sujeito bem gordo, suado, e cheio de sacolas. perdi. mas saí dessa peleja com a cabeça erguida e a convicção de que algum lugar, no corredor, estaria a minha espera.

fosse o tal trem das 11, daria até pra compreender... mas acho que essa urgência em partir pela necessidade, nem mesmo o Adoniran!

bonus: paradoxo da espera do ônibus (vídeo 3'10'')

terça-feira, 4 de agosto de 2009

VIII Tao

o bem supremo é como água





água... apura as dez-mil-coisas sem disputa
habita onde os homens abominam


por isso abeira-se ao curso



morar bom é onde
coração bom é profundidade
doar bom é amor
falar bom é sinceridade
governo bom é ordem
serviço bom é capacidade
movimento bom é quando


eis que só sem disputa não há oposição